quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Nota de autoconhecimento #12

Declaração das Quatro Coisas Sagradas (*)
A terra é um ser vivo e consciente. Juntamente com culturas de muitos diferentes tempos e lugares, denominamos como coisas sagradas: ar, fogo, água e terra.
Quer as vejamos como respiração, energia, sangue e corpo da Mãe, quer como dádivas abençoadas de um Criador, quer como símbolos dos sistemas interligados que mantêm a vida, sabemos que nada pode viver sem elas.
Chamar essas coisas de sagradas equivale a dizer que têm um valor além de sua utilidade para os fins humanos, que elas próprias se tornam os padrões pelos quais nossos atos, nossa economia, nossas leis e nossos propósitos devem ser julgados. Ninguém tem o direito de apropriar-se ou beneficiar-se delas à custa dos outros. Qualquer governo que falha em protegê-las perde sua legitimidade.
Todas as pessoas, todos os seres vivos são parte da vida terrena, e portanto sagradas. Nenhum de nós mantem-se acima ou abaixo de qualquer outro. Apenas a justiça pode garantir o equilíbrio; somente o equilíbrio ecológico pode manter a liberdade. Apenas em liberdade conseguimos com que a quinta coisa sagrada, a que chamamos de espírito, floresça em sua plena diversidade.
Honrar o sagrado é criar condições nas quais nutrição, sustento, habitat, conhecimento, liberdade e beleza possam vicejar. Honrar o sagrado é tornar o amor possível.
A este dedicamos nossa curiosidade , nossa vontade, nossa coragem, nossas vozes. A este dedicamos nossas vidas.

(* Encontrei este texto na abertura do livro A Quintessência Sagrada da Starhawk. Achei simplesmente tocante e inspirador.)

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Nota de autoconhecimento #11

Parece que existe uma espécie de regra na sociedade moderna que te obriga a ser feliz o tempo todo e quando você não a segue as pessoas ao redor se sentem incomodadas, talvez pelo medo da própria tristeza. Assim sendo, inicia-se uma cruzada com o intuito de lhe deixar melhor. Seria tão bom se o ser humano aprendesse a simplesmente respeitar a individualidade de cada um!
O que a maioria das pessoas ignora é que no processo de viver a vida entramos e saímos de nossos labirintos o tempo todo, são ciclos, assim como a lua que uma vez por mês resolve não mostrar seu rosto, ou o sol que no inverno se afasta.
Um bebê leva nove meses para estar completamente formado e pronto para nascer, o inverno demora três meses para se transformar em primavera, uma semente leva seu próprio tempo para nascer, crescer, atingir sua maturidade, declinar e morrer. O que fazer nesse meio tempo? Esperar. Tente tirar um bebê da barriga antes do tempo e ele provavelmente morrerá.
A Natureza é sábia, pois Ela é a Mãe. Encare-se como o ser selvagem que você é. Você é parte integrante da natureza, é um fruto Dela e responde à lei Dela. Ou talvez, se preferir, continue agindo como um relógio, um computador ou qualquer outra máquina, quem sabe você não encontre a felicidade na seção de enlatados do supermercado.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Nota de autoconhecimento #10

Hoje recordei de um insight importante que tive há alguns meses: É pedir demais esperar que os outros ajam de acordo com nossas vontades. Idealizações geram frustrações.
Por que? Simples. Porque cada um é único, cada um é de um jeito, e por mais que seja duro de aceitar, nem sempre as pessoas vão topar usar a fantasia que criamos para elas em nossas mentes, porque elas são do jeito que são, independente de nossa vontade.
É tão mais simples quando aceitamos as pessoas como elas são e nos permitimos surpreender-nos com isso. Uma pena que seja tão difícil lutar contra a egrégora formada por anos e anos de idealizações. Na dúvida coloque suas prioridades na balança.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Nota de autoconhecimento #9

Outubro é um mês que invariavelmente me conduz a reflexão. O ano civil está acabando, Samhain se aproxima e daqui há alguns dias ficarei mais velho.
Tenho o péssimo hábito de ignorar para onde estou indo, apenas ligo o piloto automático e quando dou por mim estou em um lugar onde nem sabia como chegar. Recentemente peguei uma trilha para dentro de mim, mais dentro do que de costume, se é que isso é possível. Me questiono diariamente sobre o meu presente, me auto-avalio, me reconstruo, me redescubro...
A verdade é que estou achando isso deliciosamente prazeroso. Adoro me trancar no meu quarto, ligar o rádio e ignorar todo o mundo exterior, me sinto potencialmente criativo.
Se hoje eu fosse uma carta do tarô, seria Le Foe, o Louco, o surgimento de uma nova idéia dentro da mente, o caos de pensamentos amorfos que se mesclam e são ininteligíveis, sou possibilidades, um "protoalgumacoisa", alguém que sente que existe, mas ainda não tem consciência de si.
Talvez em novembro o caos comece a se ordenar e eu me torne o mago, mas por enquanto eu ainda sou só um pensamento.