segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Nota de autoconhecimento # 44

A jornada as vezes cessa...
E se antes isso me irritava profundamente, agora sei perceber isso de forma tranquila. São os ciclos, sempre os ciclos. Há uma época para preparar o solo, uma para semear, outra para fertilizar e depois esperar e depois colher e depois aguardar.
E depois do cessar vem o caminhar, ciente dos aprendizados que agregamos quando o Inverno nos fez parar.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Nota de autoconhecimento # 43



(A Torre no Tarô das árvores, de Dana Driscoll)


O desafio da semana é: Abençoar a Torre!
Diversas vezes em nossas vidas nos deparamos com o temido Arcano XVI. Sem pedir licença nosso chão é tomado, nossas certezas caem por terras e passivamente observamos a vida como conhecíamos ser destruída.

Como pagãos conscientes (ou seguidores conscientes de qualquer senda) é nosso dever atravessarmos o véu do óbvio e encararmos a complexidade da situação, tirando lições da mesma.

Quando a Torre cai ela não leva consigo nada mais do que o que precisava ser levado e traz consigo um aprendizado valioso que deveremos carregar conosco para todo o resto da vida.

Sendo assim, como podemos abençoar o Arcano XVI e tudo que ele representa?

Eis o meu desafio da semana, buscar formas (e colocá-las em prática) de abençoar as transformações ocorridas em minha vida desde o fatídico dia em que puxei a carta da Torre do meu deck dos gatos.

Quem tiver alguma experiência para compartilhar, sinta-se bem-vindo!

terça-feira, 28 de junho de 2011

Nota de autoconhecimento # 42

Você já leu O Banquete, de Platão?
Há uma passagem onde Aristófane conta como no princípio o homem possuía quatro braços, quatro pernas e duas cabeças, o ser perfeito, pleno, que absorto em sua plenitude esqueceu-se de homenagear aos Deuses como necessário e que Zeus Tonante, como punição, lançou seu raio divino e partiu-lhe ao meio, tornando-o incompleto, fadado a vagar eternamente pela corpo de Gaia buscando sua outra parte e com ela a sua plenitude.

Vou contar um segredo: desconfio que Zeus não tenha separado o homem, apenas escondido sua outra parte dentre de si mesmo, para que o homem vagasse, procurasse sem jamais encontrá-la fora de si. No entanto somente aquele que buscar por sua plenitude em seu interior poderá encontrá-la e ser verdadeiramente feliz.

Ou como diria Margaret Murray "Se aquilo que buscas não encontrar dentro de si mesmo, jamais o encontrará fora".

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Nota de autoconhecimeno # 41

Catarse...
A catarse é o momento de libertação, é o momento do desapego, hora de deixar tudo o que foi partir, hora de deixar os sentimentos transbordarem e nos transformarem.
Se tiver que chorar, chore!
Se tiver que gritar, grite!
Permita-se esvaziar completamente.
Quantas vezes a vida não mudou drasticamente? Foi fácil? Segurar-se às bordas de uma situação beneficiou-lhe de algum modo? Não deixe a dor se prolongar.
Permita-se fluir e curar-se.
As lições dos ciclos são as mais difíceis, sempre, porém são as mais belas!

terça-feira, 7 de junho de 2011

Nota de autoconhecimento # 40

Existe um conceito na psicologia (obrigado Fê) chamado Gestalt, do qual gostei muito e que ilustra muitas situações da vida. Óbviamente o significado de gestalt na psicologia é muito mais amplo e complexo do que o uso que faço dele, mas costuma tratá-lo como um ciclo.

E eu detesto deixar gestalts abertas!


No entanto a natureza tem seu tempo próprio e é sábia, sendo assim, fui obrigado a deixar uma.


Você já teve aquela sensação de que o lance com aquele carinha não rendeu tudo o que precisava render? É mais do que só vontade, desejo, amor não correspondido, é uma sensação mais forte de que aquela história ainda dará muito pano para as mangas. Já senti isso uma vez e passado alguns anos reencontrei o cara a zaz, fechamos nossa gestalt.


Em minhas últimas meditações compreendi o papel dos Deuses através do que chamei de Manutenção do Universo, onde Eles agem como Criadores, Preservadores e Destruidores. Se a Torre caiu é porque algo precisava ser destruído, então aceito a ação dos Deuses e aceito a duração dos ciclos, uma semente não brota antes da época, uma gestalt não se fecha quando não é a hora.


A Jornada prossegue, sem meu Pequeno Príncipe, mas prossegue...

terça-feira, 24 de maio de 2011

Nota de autoconhecimento # 39




Um dia, enquanto você estiver dormindo, um sorrateiro vento norte irá insinuar-se pela janela, adentrar seu edredon e te causar um leve arrepio. Muito provavelmente você irá virar-se para o outro lado, aconchegar-se mais no edredon ou em quem está ao seu lado e voltar a dormir. Quando amanhecer você nem mesmo se lembrará do ocorrido.

Nos próximos dias você irá flagar-se olhando para o nada, sonhando com mares distantes, quando ouvir uma música irá lembrar-se de uma pessoa que você não é e então sentirá saudade disso.

Um dia, você olhará para o seu deck de tarô preferido e puxará uma carta. A Torre. Que susto! O que ela quer me dizer?

Alguns dias passarão e você irá esquecer de tudo isso, a vida seguirá tranquilamente até o fatídico dia em que seu namorado, o mais amado, romperá contigo em um bar chamado Athenas. A partir de então A Torre e o vento norte não mais lhe sairão da cabeça.

Você perderá o apetite, irá chorar com folhas caídas no chão, perceberá que está tendo dificuldade em exergar algumas cores e se tornará alheio a tudo que se passa fora de você.

O vento norte é o prenúncio da queda da Torre, um alerta, mas quando o raio fulminante de Zeus Tonante finalmente a atinge, o seu mundo precisa ser destruído por completo.

Por que? Porque é assim que a vida se renova...

O chão deve tremer, não deve restar pedra sobre pedra, para que só assim um novo Mundo possa ser construído, mais forte.



P.S. Baby, se você estiver lendo isso saiba que eu ainda te amo e que o Mundo que eu espero reconstruir é o nosso amor!

terça-feira, 17 de maio de 2011

Nota de autoconhecimento # 38


A Imperatiz - Tarô Mitológico




Tarô mitológico - primeiras impressões



Depois de meses de flerte, finalmente comprei meu exemplar do Tarô Mitológico. A princípio não gostei muito das ilustrações (assim como também não sou chegado às ilustrações do Tarô Rider-Waite), mas quando comecei a manuseá-lo me apaixonei perdidamente pelo conjunto completo.

A idéia é uma viagem iconográfica pelos mitos gregos, narrada através dos arcanos do tarô, o que é uma verdadeira dádiva para o apreciador de mitologia.

A primeira coisa que me chamou atenção foi a saga dos arcanos menores, onde um mito é narrado pela sequência do Ás até Rei de cada naipe. Nunca havia pensado nos menores como uma sequência ou uma história (pelo menos não da mesma forma como os maiores), quando muito conseguia ver um processo de amadurecimento nas cartas de corte, no entanto achei essa idéia genial. Muitas histórias podem ser contadas pelos arcanos menores, que por essência são mais sutis que os maiores.

Na foto acima, minha carta preferida deste (e de muitos outros) decks, a Imperatriz que, de forma sublime, esta retratada como Deméter (embora essa coroa com torres evoque Cibele), personificando assim o arquétipo da Mãe Terra.

domingo, 15 de maio de 2011

Nota de autoconhecimento # 37




Parte de uma espiritualidade consciente implica em aceitar a responsabilidade por todos os seus atos. Se está ruim, só você pode mudar...
Me deixei cair na inércia, ignorei aquilo que já sabia, deixei meus mecanismos de auto-sabotagem me dominarem.

Por que sempre nessa época do ano? É a vibe do inverno?

Nunca é tarde para fazer algo e pela enésima vez, é hora de colocar o pé na estrada e colocar tudo o que aprendi nesses anos em prática (de novo! rs)

E a senda continua...

terça-feira, 10 de maio de 2011

Nota de autoconhecimento # 36

- Nunca cozinhe carregando sentimentos ruins, ou praguejando, ou maldizendo. Não faça pirraça ao cozinhar, nem tampouco desrespeite os mais velhos...
Sua cozinha conhece seu coração, não tente enganá-la!

(E eu tô aqui, com o lábio inferior queimado, para mostrar que sua cozinha, assim como todos os que lá estão, não exitará em lhe ensinar uma boa lição quando você assim o merecer)

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Nota de autoconhecimento # 35

Durante este ciclo (Samhain 2011/Samhain 2012) irei trabalhar com (mas não só) Deuses indígenas brasileiros.

Aos poucos vou divulgando minhas vivências por aqui...

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Nota de autoconhecimento # 34

All Souls Night
Loreena Mckennitt

Bonfires dot the rolling hillsides
Figures dance around and around
To drums that pulse out echoes of darkness
Moving to the pagan sound.

Somewhere in a hidden memory
Images float before my eyes
Of fragrant nights of straw and of bonfires
And dancing till the next sunrise.

CHORUS
I can see lights in the distance
Trembling in the dark cloak of night
Candles and lanterns are dancing, dancing
A waltz on All Souls Night.

Figures of cornstalks bend in the shadows
Held up tall as the flames leap high
The green knight holds the holly bush
To mark where the old year passes by.

CHORUS
I can see lights in the distance
Trembling in the dark cloak of night
Candles and lanterns are dancing, dancing
A waltz on All Souls Night.

Bonfires dot the rolling hillsides
Figures dance around and around
To drums that pulse out echoes of darkness
Moving to the pagan sound.

Standing on the bridge that crosses
The river that goes out to the sea
The wind is full of a thousand voices
They pass by the bridge and me.

CHORUS
I can see lights in the distance
Trembling in the dark cloak of night
Candles and lanterns are dancing, dancing
A waltz on All Souls Night.

CHORUS
I can see lights in the distance
Trembling in the dark cloak of night
Candles and lanterns are dancing, dancing
A waltz on All Souls Night.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Nota de autoconhecimento # 33

Arcano XV


Ahh sim, e antes que eu me esqueça, uma carta para esta data.

Com bênçãos do Trickster!

(Esta carta, assim como a carta do Mundo na nota de autoconhecimento 31 pertence ao The Labyrinth Tarot Deck do Luis Royo)

Nota de autoconhecimento # 32






Nacionalmente conhecido como o dia da mentira, 1° de abril tem me intrigado desde que li em algum blog (do qual não me recordo agora) sobre uma possível associação entre o dia e o Deus Hermes.


Dai fiquei com isso na cabeça...



Teriam os festejos 1° de abril alguma origem pagã?



Lá fui eu fuçar no Google (que carinhosamente chamo de Hermes).



O que direi agora carece de fontes acadêmicas (historiadores: tampem seus ouvidos!), mas achei bacana e vou compartilhar.



No Brasil, 1° de abril é conhecido como dia da mentira, pois foi nesse dia, em 1848, que começou a circular em Minas Gerais um jornal chamado A Mentira noticiando uma suposta morte de Dom Pedro. No entanto os festejos já aconteciam em outros países e o dia era conhecido como April Foll's Day ou Dia dos Tolos.



Ao que tudo indica esse costume remonta ao século XVI, antes da adoção do Calendário Gregoriano, quando o ano novo era comemorado em 25 de março, com a chegada da primavera e os festejos duravam até 1° de abril. Isso por si só já me pareceu meio pagão, mas ainda tem mais, nos países nórdicos, 1° de abril era um dia dedicado ao Deus Loki, um trickster por excelência, famoso por suas "brincadeiras", dotado de um peculiar senso de humor. Daí o costume de se pregar peças no dia 1° de abril.



E como a sabedoria dos Antigos sempre carregam sabedoria, aqui vão algumas "superstições" sobre esta data:



- As peças se encerram à meia-noite. Feitos posteriores à meia-noite trarão má sorte ao perpetrador.

- Não aceitar os truques, ou tirar proveito dentro do espírito de tolerância e do divertimento, também trará má sorte.

- Aquele que por uma bela garota for enganado neste dia, será recompensado com o matrimônio, ou pelo menos a amizade dela.



Um brinde ao Trickster!

terça-feira, 29 de março de 2011

Nota de autoconhecimento #31

Arcano XXI


Gerânio - Marisa Monte
(Composição: Marisa Monte, Nando Reis e Jennifer Gomes)

Ela que descobriu o mundo
E sabe vê-lo do ângulo mais bonito
Canta e melhora a vida, descobre sensações diferentes
Sente e vive intensamente

Aprende e continua aprendiz
Ensina muito e reboca os maiores amigos
Faz dança, cozinha, se balança na rede
E adormece em frente à bela vista

Despreocupa-se e pensa no essencial
Dorme e acorda

Conhece a Índia e o Japão e a dança haitiana
Fala inglês e canta em inglês
Escreve
diários, pinta lâmpadas, troca pneus
E lava os cabelos com shampoos diferentes

Faz amor e anda de bicicleta dentro de casa
E corre quando quer
Cozinha tudo, costura, já fez boneco de pano
E brinco para a orelha, bolsa de couro, namora e é amiga

Tem computador e rede, rede para dois
Gosta de eletrodomésticos, toca piano e violão
Procura o amor e quer ser mãe, tem lençóis e tem irmãs
Vai ao teatro, mas prefere cinema

Sabe espantar o tédio
Cortar cabelo e nadar no mar
Tédio não passa nem por perto, é infinita, sensível, linda
Estou com saudades e penso tanto em você

Despreocupa-se e pensa no essencial
Dorme e acorda

quarta-feira, 23 de março de 2011

Nota de autoconhecimento # 30


"Venha, quem quer que seja. Infiel, adorador do fogo, venha.
Nosso caminho não é o do desespero.
Mesmo que tenha quebrado seu voto uma centena de vezes, venha.
Venha novamente."

(Mevlana Jelaluddin Rumi)


segunda-feira, 21 de março de 2011

Nota de autoconhecimento #29

Algumas breves palavras sobre Mabon...

Minha segunda colheita está sendo muito mais farta do que imaginava! A primeira foi tão desesperadoramente escassa que cheguei a pensar que não teria segunda colheita, mas estou tendo, estou amando e acima de tudo, estou grato...

Grato aos Deuses Antigos por não terem se esquecido de mim e por terem cuidado deste filho desgarrado, grato ao meu namorado por me ensinar a amar mais a cada novo dia, grato a minha família que é meu porto seguro (mesmo que as vezes eles me enlouqueçam e vice-versa), grato aos meus amigos pela lealdade, carinho, compreensão e companheirismo, grato ao meu trabalho pela prosperidade financeira e crescimento e grato até mesmo aos inimigos, com quem muito aprendi!

Feliz Mabon!!!

quinta-feira, 10 de março de 2011

Nota de autoconhecimento # 28

Estou estarrecido com a morte do Cadu!

Estou desesperadamente procurando em meu baú de aprendizados algo que possa ser aproveitado disso, alguma lição que eu possa aprender, mas nada, absolutamente nada cabe na imensa dor que a perda desse amigo (irmão) me causou.

Dói demais! Dói demais lembrar nossos passeios, dói demais lembrar nossas conversas, risos, lágrimas, confidências, maldades (que é, pensou que fossemos florzinhas?), lembrar de tudo o que vivemos juntos. É uma perda irreparável, sinto que um pedaço de mim foi enterrado hoje às 10h da manhã junto com ele, mas sei que não há nada que possa ser feito, apenas seguir, dia após dia e aceitar. Queria que ele estivesse aqui para fazer alguma piada de humor negro sobre tudo isso, seguramente ele me faria rir!

Tão injusta a forma como ele foi arrancado de nós! Rogo a todos os Deuses, do Céu e da Terra, deste mundo e além que a justiça seja feita e que o culpado receba o que merece!

Que assim seja e que assim se faça!

FFF

sexta-feira, 4 de março de 2011

Nota de autoconhecimento #27

Compartilhando uma lição que aprendi nos últimos dias:

A arrogância é uma máscara frágil que nos impede de crescer.

Muitas vezes mascaramos quem realmente somos através de uma falsa grandeza que, assim como uma roupa folgada demais, não nos serve. O resultado disso: deixamos de aprender muitas das lições que a vida tem a nos oferecer.

Falo isso por experiência própria, por já ter perdido grandes oportunidades de aprendizado por não querer "me rebaixar" à posição de aprendiz. Que tolice!

Se não abrirmos a janela o sol jamais poderá entrar...

terça-feira, 1 de março de 2011

Nota de auto-conhecimento #26

LUA-LUAR

Escuto leve batida.
Levanto descalça, abro a janela
devagarinho.
Alguém bateu?
É a lua-luar que quer entrar.

Entra lua poesia
antes dos astronautas:
Gagarin da terra azul,
Apolo XI que primeiro passeou solo lunar.

Lua que comanda os mares,
a fúria dos vagalhões
que vem morrer na praia.
O banzeiro das pororocas.

Lua dos namorados,
das intrigas de amor,
dos encontros clandestinos.
Lua-luar que entra e sai.

Lua nova, incompleta no seu meio arco.
Lua crescente , velha enorme,fecunda.
Lua de todos os povos
de todos os quadrantes.

Lua que enfurece o mar e em chumbo,
acovarda barcos pesqueiros.
O barqueiro se recolhe.

O pescado volta às redes.
O jangadeiro trava amarras.
Gaivotas fogem dos rochedos.

Lua cúmplice.
Lésbica lua nascente,
andrógina - lua-luar.
Lua dos becos tristes
das esquinas buliçosas.
Luar dos velhos.
Das velhas plantas sentenciadas.
Do sopro morto
dos bordões, rimas,violinos.

Lua que manda
na semeadura dos campos,
na geminação das sementes,
na abundância das colheitas.

Lua boa.
Lua ruim.
Lua de chuva.
Lua de sol.

Lua das gestações do amor.
Do acaso, do passatempo
Irresistível,
responsável,irresponsável.

Lua grande.Lua genésica
que marca a fertilidade da fêmea
e traz o macho para a semeadura.
O fruto aceito -
mal aceito: repudiado,abandonado,
A semente morta
lançada no esgoto.
A semente viva palpitante
deixada em porta alheia.



CORALINA, Cora. Meu livro de Cordel. 10 ed. São Paulo: Global editora, 2002. p.12-4

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Nota de autoconhecimento # 25

Mais um dia e nada da devoção voltar, me sinto vazio...

Sábado vi um grupo celebrando na praia e isso me deixou nostálgico, pois queria estar celebrando, queria estar vivenciando plenamente tudo aquilo que aprendi nos últimos anos, mas ao invés disso estou apenas seguindo, dia após dia seguindo, esperando algo que faça tudo mudar.

Mas se eu quero tanto assim voltar a celebrar, o que realmente me impede? Meu namorado diz que se não o faço é porque não quero. Será?

Será que é hora de engolir o orgulho e procurar aqueles que já trilharam este caminho e pedir ajuda? É difícil voltar a confiar...

Meu perdão já foi dado (de coração) a quem o pediu, mas a ferida continua aberta e continua a doer...

O que fazer?

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Nota de autoconhecimento #24

Este exercício que me propuz tem sido bem difícil!


A autonomia de seguir meu próprio caminho me parece algo fantástico, mas muitas vezes me percebo sem saber exatamente o que fazer ou para onde seguir. Referências? Tenho aos montes, muita coisa legal para testar, muito material legal por onde começar, mas por onde exatamente começar?



As vezes acho que não tenho disciplina para seguir meu próprio caminho, mas já não consigo me ver (pelo menos não como eu conseguia antes) em uma tradição já existente. Antigamente eu idealizava demais esses grupos, mas quando fiz parte de um percebi que as pessoas estavam infinitamente mais interessadas em egotrips e clubinhos de comadres do que em qualquer outra coisa.



Queria encontrar pares sinceros pelo caminho...

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Nota de autoconhecimento #23

Ok, sei que estou um pouco atrasado, mas sábado finalmente comemorei Lughnasadh. Como estava sem tempo e dinheiro para coisas mais elaboradas, meu ritual consistiu em acender uma vela para os Ancestrais ao lado do fogão e fazer um pão enquanto refletia sobre minha colheita.


Preciso dizer que aprecio bastante minhas ritualizações quase anárquicas, onde mando o protocolo catar coquinho e celebro de um jeito espontâneo! Esse ritual foi exatamente assim, uma manifestação sincera e espontânea de meus agradecimentos para este sabbat.



Hoje, relembrando de um livro da Z. Budapest que li há um bom tempo atrás, me propuz a fazer um pequeno exercícios, que espero conseguir compartilhar por aqui no decorrer da semana. Consiste em responder, durante todos os dias, a seguinte pergunta:

- Como posso vivenciar o meu sacerdócio hoje?

Quem se interessar pela proposta e quiser compartilhar do exercício comigo, sinta-se a vontade...

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Nota de autoconhecimento #22

Lughnasadh é quando os antigos comemoravam a 1ª colheita. Lughnasadh é quando eu, olhando para minha própria colheita, paro para refletir sobre toda a minha trajetória desde o último Samhain. Neste ciclo percebi que tenho uma certa tendência em abandonar as coisas pela metade, estou vivendo uma época tensa.

É tão fácil abandonar nossas vidas! Um pouquinho de descuido e zás, quando nos damos conta já virou uma bola de neve, seja uma pilha de louças na pia da cozinha, trabalhos pendentes em nossa mesa do escritório, amigos que deixamos de ser cultivadar, ou exercícios espirituais que nunca saíram do plano das idéias. É aí que começamos a nos enganar, dizendo que estamos cansados, deprimidos, sem tempo, justificando com mil e um motivos a nossa ausência em nós mesmos.

Eu ainda não sei exatamente qual foi a raiz do problema, só sei que me abandonei e agora é hora de pegar a trilha de volta e começar a faxina.

No mais, só tenho a agradecer aos Deuses, pois mesmo no meio de tanto perrengue, tenho colhidos belos e saborosos frutos.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Nota de autoconhecimento #21

Manifesto Madrepérola


1. nós nos comprometemos a atuar em rede e em favor de todas as mulheres, evitando criticar de forma depreciativa qualquer uma de nossas irmãs, evitando deslegitimar suas posturas, momentos de vida e opiniões, e ao invés disso, oferecendo bases de identificação, compreensão e abertura ao diálogo mesmo quando não concordamos com elas;

2. nós nos comprometemos a apoiar de forma pessoal, emocional, moral ou qualquer outro tipo possível, mulheres passando por processos de gravidez, parto, puerpério, amamentação e criação de filhos, compreendendo a tarefa de acolher e nos responsabilizar de forma coletiva por nossas crianças como um todo;

3. nós nos comprometemos a trocar com outras mulheres, nossos conhecimentos de qualquer espécie, nosso tempo, o produto de nossos ofícios, objetos e serviços sem o uso de moeda corrente;

4. nós nos comprometemos a debater em profundidade todos os assuntos de interesse da mulher, sejam de ordem privada ou pública, preservando o respeito e a legitimidade de todas as vozes femininas em seus discursos;





5. nós nos comprometemos a buscar visões mais femininas acerca de nossos próprios corpos, acerca da imagem de nossos corpos na sociedade e na mídia, e acerca de processos físicos particulares como menstruação, gravidez, amamentação e menopausa, visando acima de tudo diminuir a patologização e a homogenização desses processos e promover o conforto da mulher em seu corpo;

6. nós nos comprometemos a buscar soluções de saúde e de cura, para nós e o planeta, que ao mesmo tempo resgatem conhecimentos antigos privilegiando os transmitidos por outras mulheres e inovem de forma holística superando a visão fragmentada e mecanicista de saúde e bem-estar;

7. nós nos comprometemos com o momento atual da terra e com a busca de soluções cooperativas, relacionais, amorosas e de cuidado, abandonando os comportamentos exploratórios e depredatórios da sociedade atual;

8. nós nos comprometemos com as plantas, animais e toda a vida na terra, com a proteção de espécies e habitats naturais, com a proteção da água e com um crescente senso de respeito em relação à soberania e direito à existência de todas as formas de vida;

9. nós nos comprometemos com nossos filhos e filhas, rompendo com a transmissão fácil dos paradigmas vigentes e com a terceirização de nossas crianças, contando para isso com uma rede de suporte educativo entre todas as mulheres interessadas;

10. nós nos comprometemos com o desmantelamento de tudo o que é nocivo na sociedade em que vivemos, e com a criação e suporte a todo tipo de redes paralelas que valorizem uma existência sem consumismo, competição ou comportamentos predatórios;

11. nós nos comprometemos com a acolhida -especialmente mental e emocional- de outras participantes do manifesto, independente de diferenças individuais e do ponto em que estejam no processo de retorno ao feminino;

12. nós nos comprometemos com a queda de estereótipos sobre o feminino, superação de falsas dicotomias (positivo-negativo, natureza-cultura, sexual-espiritual entre outras) que localizam o feminino em oposição ao que simboliza o bom, desejável ou normal.


(por Anfíbia)

____

Eu descobri esse manifesto em algum lugar do ano passado e desde então ele não me saiu da cabeça. Embora ele seja voltado às mulheres eu, de certo modo, passei a me inspirar nele como uma espécie de código de conduta para com as pessoas (especialmente as mulheres) ao meu redor.



Espero que ele possa inspirar a vocês tanto quanto me inspira!